domingo, 4 de novembro de 2012

Perda de Ente Querido - HEU


Essa causa de dor atinge assim o rico, como o pobre: representa uma prova, ou expiação, e comum é a lei. Tendes, porém, uma consolação em poderdes comunicar-vos_com_os_vossos_amigos pelos meios que vos estão ao alcance, enquanto não dispondes de outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos.

        As dores inconsoláveis dos que sobrevivem se refletem nos Espíritos que as causam.
        O Espírito é sensível à lembrança e às saudades dos que lhe eram caros na Terra; mas, uma dor incessante e desarrazoada o toca penosamente, porque, nessa dor excessiva, ele vê falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao adiantamento dos que o choram e talvez à sua reunião com estes.
        Estando o Espírito mais feliz no Espaço que na Terra, lamentar que ele tenha deixado a vida corpórea é deplorar que seja feliz.  Figuremos dois amigos que se achem metidos na mesma prisão.  Ambos alcançarão um dia a liberdade, mas um a obtém antes do outro.  Seria caridoso que o que continuou preso se entristecesse porque o seu amigo foi libertado primeiro?  Não haveria, de sua parte, mais egoísmo do que afeição em querer que do seu cativeiro e do seu sofrer partilhasse o outro por igual tempo? O mesmo se dá com dois seres que se amam na Terra. O que parte primeiro é o que primeiro se liberta e só nos cabe felicitá-lo, aguardando com paciência o momento em que a nosso turno também o seremos.
        Façamos ainda, a este propósito, outra comparação. Tendes um amigo que, junto de vós, se encontra em penosíssima situação. Sua saúde ou seus interesses exigem que vá para outro país, onde estará melhor a todos os respeitos. Deixará temporariamente de se achar ao vosso lado, mas com ele vos correspondereis sempre: a separação será apenas material.
        Desgostar-vos-ia o seu afastamento, embora para o bem dele?
        Pelas provas patentes, que ministra, da vida futura, da presença, em torno de nós, daqueles a quem amamos, da continuidade da afeição e da solicitude que nos dispensavam; pelas relações que nos faculta manter com eles, a Doutrina Espírita nos oferece suprema consolação, por ocasião de uma  das mais legítimas dores.  Com o Espiritismo, não mais solidão, não mais abandono: o homem, por muito insulado que esteja, tem sempre perto de si amigos com quem pode comunicar-se.
        Impacientemente suportamos as tribulações da vida. Tão intoleráveis nos parecem, que não compreendemos possamos sofrê-las.  Entretanto, se as tivermos suportado corajosamente, se soubermos impor silêncio às nossas murmurações, felicitar-nos-emos, quando fora desta prisão terrena, como o doente que sofre se felicita, quando curado, por se haver submetido a um tratamento doloroso.
        Pergunta feita no programa Flávio Cavalcante ao médium Francisco_Cândido_Xavier:
  • Flávio Cavalcante: Márcia de Windsor, a sua pergunta.
  • Márcia de Windsor – Eu faço apenas uma pergunta, servindo de portadora da mesma. Uma senhora perdeu um filho há um ano e durante esse ano inteiro essa senhora tem chorado, tem penado dores incríveis, numa inconformação absoluta por essa perda. Ela, muito aflita, me pede que lhe pergunte se essas lágrimas, se toda essa dor, esse sofrimento podem prejudicar, de algum modo o seu filho.
  • Chico Xavier – Em outros casos semelhantes, temos recebido o esclarecimento de que essa dor, essa dor entranhada na alma inconformada daqueles que ficam, prejudica muito e às vezes, de maneira intensa, aos corações amados que nos precedem na Vida Espiritual. Seria tão bom que essa mãe generosa pudesse entregar o filhinho a Deus, de quem ela recebeu esse mesmo filho, a fim de protegê-lo e orientá-lo nesse mundo! E estamos certos de que ela procurando reencontrá-lo entre tantas outras crianças que ai estão necessitadas, rapazes mesmo que precisam de benfeitores paternais e maternais, essa abençoada mãezinha estará extinguindo a dor dela no caminho desse filho, que deve, naturalmente, se afligir.

    Peçamos a Deus para que ela tenha bastante serenidade e que, na condição de mãe, na grandeza maternal de todas as mães, ela possa continuar auxiliando e abençoando o filho que partiu no rumo da Vida Maior.
[118 - questão 120] - Emmanuel - Transcrição do “Serviço Espírita de Informações” – SEI – Rio de Janeiro (RJ) 27 de julho de 1974, sob o título “Chico Xavier no Programa Flávio Cavalcanti”
Entre aqueles que se amam,
morte aparece em vão,
Pode plantar saudade,
Mas nunca a separação.
 
Meimei
 
Médium: Francisco Cândido Xavier
SAUDADE E AMOR

          Ante as lembranças queridas dos entes amados que te precederam na Grande Transformação, é natural que as tuas orações, em auxílio a eles, surjam orvalhadas de lágrimas.
          Entretanto, não permitas que a saudade se te faça desespero.   (Ver: Assistência espiritual)
          Recorda-os, efetuando por eles, o bem que desejariam fazer.
  • Imagina-lhes as mãos dentro das tuas e oferece algum apoio aos necessitados; 
  • lembra-lhes a presença amiga e visita um doente, qual se lhes estivesses atendendo a determinada solicitação; 
  • distribui sorrisos e palavras de amor com os irmãos algemados a rudes provas, como se os visses falando por teus lábios e atravessarás os dias de tristeza ou de angústia com a luz da esperança no coração, caminhando, em rumo certo, para o reencontro feliz com todos eles, nas bênçãos de Jesus, em plena imortalidade.
EMMANUEL
        A oração coopera eficazmente em favor do que partiu, muitas vezes com o espírito emaranhado na rede das ilusões da existência material. Todavia, o coração amigo que ficou aí no mundo, pela vibração silenciosa e pelo desejo perseverante de ser útil ao companheiro que o precedeu na sepultura, para os movimentos da vida, nos momentos de repouso do corpo, em que a alma evolvida pode gozar de relativa liberdade, pode encontrar o Espírito_sofredor ou errante do amigo desencarnado, despertar-lhe a vontade no cumprimento do dever, bem como orientá-lo sobre a sua realidade nova, sem que a sua memória corporal registre o acontecimento na vigília comum.
        Daí nasce a afirmativa de que somente o amor pode atravessar o abismo da morte.
EMMANUEL
Para os pais que sofrem a falta de um filho, causada pela morte, não há nada mais maravilhoso do que saber que seu filho vive em Espírito e que o reencontrará um dia. Portanto, Deus não perderia a oportunidade de criar esta maravilha. Não é possível que Deus não tenha criado o que, verdadeiramente, é de tudo o mais maravilhoso para os pais que sentem a saudade e sofrem a tristeza da falta de um filho amado.  
        Que horrenda é a ideia do Nada! Quão de lastimar são os que acreditam que no vácuo se perde, sem encontrar eco que lhe responda, a voz do amigo que chora o seu amigo! Jamais conheceram as puras e santas afeiçoes os que pensam que todo morre com o corpo; que o gênio, que com a sua vasta inteligência iluminou o mundo; é uma combinação de matéria, que, qual sopro, se extingue para sempre; que do mais querido ente, de um pai, de uma mãe, ou de um filho adorado não restará senão um pouco de pó que o vento irremediavelmente dispersará.
        Como pode um homem de coração conservar-se frio a essa ideia? Como não o gela de terror a ideia de um aniquilamento absoluto e não lhe faz, ao menos, desejar que não seja assim? Se até hoje não lhe foi suficiente a razão para afastar de seu espírito quaisquer dúvidas, aí está o Espiritismo a dissipar toda incerteza com relação ao futuro, por meio das provas materiais que dá da sobrevivência_da_alma e da existência dos seres de além-túmulo. Tanto assim é que por toda a parte essas provas são acolhidas com júbilo; a confiança renasce, pois que o homem doravante sabe que a vida terrestre é apenas uma breve passagem conducente a melhor vida; que seus trabalhos neste mundo não lhe ficam perdidos e que as mais santas afeições não se despedaçam sem mais esperanças(Cap. IV, n° 18; Cap. V, n° 21.)
  • Pergunta feita ao Médium Francisco_Cândido_XavierChico, eu gostaria de fazer uma pergunta muito pessoal. Eu perdi meu pai, há dois anos. No começo eu chorava demais e diziam que a gente não devia chorar porque perturbava o espírito dele. A partir daquilo eu passei a chorar menos e a pensar mais nele. Senti que, realmente, isso me trouxe mais tranqüilidade. Acha você que quando a gente chora muito por um ente que nos deixou aqui, perturba o seu espírito?
  • Resposta: Geralmente, quando partimos da Terra, partimos em condições difíceis, sempre traumatizados por violenta saudade e essa saudade também fica do lado de cá.

    Se persistirmos nas impressões de dor negativa, cultivando angústia interminada, isso se reflete sobre a pessoa que nós amamos.

    Sem dúvida, o parente é nosso, a lágrima é uma herança nossa, sofremos e choramos, mas sempre que pudermos chorar escorados na fé em Deus, escorados na certeza de que vamos nos reencontrar, isso tranqüiliza aquele ente amado que espera de nós um diálogo pacífico.

    Creio que tudo aquilo que você fala com tanto amor, nas suas horas de maior sofrimento, ou que fala com tanto carinho junto às relíquias de seu venerado pai, em Gethsemani, tudo isso alcança, pelos mais belos sentimentos, seu pai, porque vocês estão ligados.
[118 - questão 36] - Emmanuel - Entrevista realizada por Hebe Camargo, a 17 de setembro de 1973, no Horto Florestal Paulistano, para o seu programa da TV Record, Canal 7, São Paulo.
Na noite de 28 de julho de 1971 no Canal 4, no programa "Pinga Fogo" da TV Tupi, São Paulo, Chico Xavier foi entrevistado por diversas pessoas. Selecionamos para esta página a pergunta formulada por Almir:
Almir — Dona Hilda Jorrad, da Rua Major Diogo-609, pergunta muito triste. Diz ela: “Perdi um filho há um ano. Choro muito. Quero saber: as minhas lágrimas estão prejudicando o meu filho?” 
   
Chico Xavier — Quando as lágrimas nascem do nosso reconhecimento a Deus pelos benefícios que recebemos; quando as lágrimas refletem a nossa saudade tocada de esperança, os nossos amigos desencarnados nos dizem que as lágrimas fazem a eles muito bem, porque elas são luzes no caminho daqueles que são lembrados com imenso carinho. Mas quando as nossas lágrimas traduzem revolta de nossa parte diante dos desígnios divinos que nós não podemos de imediato sondar, quando essas lágrimas retratam rebeldia, essas lágrimas prejudicam os desencarnados. Tanto quanto prejudicam os encarnados também.
Eles Vivem!
Antes os que partiram, precedendo-te na Grande Mudança, não permitas que o desespero te ensombre o coração.
 
Eles não morreram.
 
Estão vivos.
 
Compartilham-te as aflições, quando te lastimas sem consolo.
 
Inquietam-se com a tua rendição aos desafios da angústia quando te afaste da confiança em Deus.
 
Eles sabem igualmente quanto dói a separação.
 
Conhecem o pranto da despedida e te recordam as mãos trementes no adeus, conservando na acústica do espírito as palavras que pronunciaste, quando não mais conseguiam responder às interpelações que articulaste no auge da amargura.
 
Não admitas estejam eles indiferentes ao teu caminho ou à tua dor.
 
Eles percebem quanto te custa a readaptação ao mundo e à existência terrestre sem eles e quase sempre se transformam em cirineus de ternura incessante, amparando-te o trabalho de renovação ou enxugando-te as lágrimas quando tateias a lousa ou lhes enfeitas a memória perguntando porque....
 
Pensa neles com saudade convertida em oração.
 
As tuas preces de amor representam acordes de esperança e devotamento, despertando-os para visões mais altas da vida.
 
Quando puderes, realiza por eles as tarefas em que estimariam prosseguir e te-los-ás contigo por infatigáveis zeladores de teus dias.
 
Se muitos deles são teu refúgio e inspiração nas atividades a que te prendes no mundo, para muitos outros deles és o apoio e o incentivo para a elevação que se lhes faz necessária.
 
Quando te disponhas a buscar os entes queridos domiciliados no Mais Além, não te detenhas na terra que lhes resguarda as últimas relíquias da experiência no plano material...
 
Contempla os céus em que mundos inumeráveis nos falam da união sem adeus e ouvirás a voz deles no próprio coração, a dizer-te que não caminharam na direção da noite,  mais sim ao encontro de Novo Despertar.


(Emmanuel)